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Comunidade Filhos do Céu: O Dependente Químico
O DEPENDENTE QUÍMICO

O dependente químico é aquele sujeito que, pelo uso e abuso continuado de substâncias psicoativas, desenvolveu dependência física e psicológica da(s) droga(s) que consome e que não pode mais prescindir do uso, desenvolvendo uma compulsão. Assim sendo, o sujeito passa a ter como prioridade em sua vida a aquisição e o uso dessa(s) droga(s).

É evidente que um indivíduo que tem o uso da droga como prioridade e questão central em sua vida, vai aos poucos perdendo os vínculos que possui com a família, com os amigos e com as pessoas do seu relacionamento social/profissional. Essa ruptura e o consequente isolamento aumentam ainda mais os efeitos da dependência na vida do sujeito dependente.

Em geral, os dependentes possuem pouco ou nenhum vínculo afetivo, a não ser com a droga que consomem. Enfim, a droga substitui tudo na vida do dependente tornando-se central, uma obsessão, uma compulsão incontrolável.

Considerar a dependência como apenas uma patologia é não compreender a organização de vida estruturada pelo dependente, sua procura alternativa, seu desejo de mudança, os sonhos que parcialmente realiza. Assim, a toxicomania deve ser entendida como uma estratégia de vida (Bucher, 1992) buscada pelo dependente, que detém características próprias, sedutoras, atraentes, desafiantes e aniquiladoras.  

O tratamento, o processo deve incluir, portanto, a reconstrução do projeto de vida do indivíduo dependente, para que este possa vislumbrar novos horizontes e possibilidades de ser feliz e satisfazer suas necessidades pessoais de maneira saudável e construtiva, pois é um ser humano solitário, emocionalmente fechado, vive em desordem, marginalizado pela sociedade. No entanto, um ser da criação divina, mesmo sendo um ser humano ferido e confuso, tem potenciais de compreensão, decisão e dignidade, com capacidades e grandes possibilidades de transformação e mudança em seu viver, de projetar-se, comunicar-se, estimar, respeitar, perdoar, expressar sentimentos nobres e ter consciência da vida, principalmente da sua (DeLeon, 2003).

Pode-se concluir que o uso e, principalmente, o abuso das drogas psicotrópicas tem, por meio de sua ação antinatural, quebrado padrões de conduta saudáveis e interferido nas relações entre os indivíduos, promovendo alterações nos aspectos socioculturais e nos valores aceitos pelas sociedades humanas. Infelizmente, a maioria dessas sociedades admite a auto administração de certas drogas e rejeitam outras, da mesma forma como existem diferenças entre normas de conduta social. Exemplos não faltam sendo os mais comuns os andinos que usam mescalina, os afegãos que usam maconha e ópio, os europeus e americanos que consomem álcool etílico, nicotina e cafeína, apenas “socialmente”.

A dependência de drogas psicotrópicas se instala na vida do indivíduo de maneira circunstancial. E para que uma determinada droga possa levar o indivíduo à dependência é necessário que cause efeitos centrais de natureza psicológica.

Segundo alguns estudiosos do assunto, as drogas que geram dependência no homem podem funcionar como recompensa, reforçando os comportamentos que produzem a auto administração dessas substâncias. Segundo algumas interpretações, os chamados circuitos de recompensa, quando ativados naturalmente ou por estimulação elétrica, resultam no esforço de comportamento que os produziu, aumentando a probabilidade de que esse comportamento seja repetido no futuro, ou seja, o que se denomina de dependência.

Painho
Enviado por Painho em 18/07/2017
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